Amure Pinho, Presidente da ABStartups

“O empreendedor brasileiro não desiste nunca”

Como presidente da Associação Brasileira de Startups, a   ABStartups, Amure Pinho reúne mais de 6000 empresas do chamado ecossistema local, organiza o maior evento de empreendedorismo do Brasil, o CASE, Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo, viaja o país para promover a ideia e incentivar empreendedores. Mas, claro, pra chegar nesse posto, ele também teve que viver sua jornada. Primeiro, fundou uma plataforma que reúne blogs (e conta aqui porque não deu certo), gerencia um co-working em Botafogo, no Rio, o Spaces, é investidor-anjo de sete empresas, desenvolve aplicativos, é mentor em aceleradoras e dá palestras e workshops para toda essa galera. “Antes de ser presidente de uma associação, o que eu mais sou é empreendedor”, diz. Ele conta aqui sua visão sobre esse sistema que ajuda a desenvolver.

Vamos começar pela parte mais complicada. Pela sua experiência, onde é que os empreendedores falham mais?

Há várias questões pra se olhar.  Mas talvez uma das mais importantes seja se apegar às métricas. Porque estamos falando de gente apaixonada por uma ideia. E paixão pode ser uma coisa muito perigosa, ela cega as pessoas. Ele está tão apaixonado pelo que criou que quer logo entregar ao mercado. Mas a verdade não está com ele, está na outra ponta, no cliente. Daí a importância de validar e ter números. Isso vai te orientar no momento em que você estiver embriagado pela paixão pelo seu negócio. Se você não tiver não vale a pena fazer, mas você tem que validar com o cliente.  Saia do prédio, vá pra rua, olhe os números pois é nessa troca que você vai validar qual a dor e o problema desse cara que você quer atingir.Empreendedor que não faz esse acompanhamento pode estar botando energia onde não é necessário ou deixando áreas importantes de lado.

Qual o seu desafio à frente da associação no momento?

A verdade é que os grandes centros geralmente atraem mais capital, mais mídia. E o nosso desafio é tentar dar um pouquinho disso para os lugares que estão um pouco mais distantes desses centros. E, quanto mais a gente faz isso, mais a gente aproveita o que a gente tem de mais importante no Brasil, que é essa diversidade, esse capital humano. Justamente por ter essa diversidade, das diferentes problemáticas brasileiras, o empreendedor daqui é muito resiliente. Ele realmente adotou aquela ideia de que o brasileiro não desiste nunca. Ele é inventivo, encontra maneiras para solucionar seus problemas, tem um canivete suíço de ideias e soluções, uma imensa vontade de resolver problemas. A gente não tem capital disponível pra todo mundo, então esse empreendedor precisa dar o jeito dele.

E essa ansiedade de muitos em montar uma empresa em um dia e vender no ano seguinte por alguns milhões. O que dizer pra quem está montando uma empresa com essa expectativa?

Se você pegar os casos de sucesso, vai ver que levaram de cinco a sete anos para serem vendidos com sucesso. Não é tão rápido como se pode pensar… Você vai ter que ser muito resiliente pois vai viver dias de escuridão, vai ter desafios na vida pessoal, falta de grana… E vai pensar em desistir muitas vezes, isso eu garanto. Quem chega ao sucesso é quem consegue superar tudo isso. 

E tem um mapa da mina para essa superação?

Pela minha experiência, sociedade é uma questão que tem que ser muito bem estudada. Os dias são difíceis, então você tem que ter alguém ao seu lado para dar conta, alguém que realmente seja complementar a você. Se você não sabe enfrentar um problema, talvez o seu sócio saiba. Não tem pessoa mais importante na vida de uma startup do que o seu co-fundador. Eu vivi esse problema na pele. Já tive vários negócios. Em um deles, as visões eram diferentes. Decidi fazer negócios com uma pessoa que eu tinha acabado de conhecer. Acredito que esse seja o principal erro de todo empreendedor. Um ano depois, eu queria investir na análise de números, entender o cliente, construir algo baseado em feedbacks. E meu sócio valorizava o design, um produto que ele imaginava. O problema não é a linha que você escolheu, as duas podem até dar certo. O problema é ficar no meio do caminho, não seguir direito nem um lado, nem o outro. Se eu acredito nos números, preciso encontrar alguém que pense como eu nesse sentido, que me complemente, potencialize suas qualidades. E vice-versa.


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