Eduardo Baer, cofundador Dog Hero

“Começamos simples. Começamos respondendo nossas dúvidas”

Eduardo Baer chega para ser entrevistado, mas quem rouba a cena no estúdio é Amora, uma golden retriever elegante e simpática. Ela não está lá à toa. Foi por conta do sonho de ter Amora, ou melhor, de ter um cachorro, que o empreendedor criou a Dog Hero. “Eu estava cursando meu MBA em Stanford e pensando que, quando voltasse para o Brasil, gostaria de realizar esse sonho. Mas quem cuidaria dele quando eu estivesse viajando?”, conta. Nessa hora, fez uma pequena pesquisa entre amigos daqui e de lá. Os brasileiros tinham que deixar seus bichos de estimação com a família ou em hotéis para pets – e ninguém parecia curtir muito essa opção. Os americanos, no entanto, tinham uma plataforma em que podiam encontrar anfitriões para cuidar dos cães quando estivessem fora. Eduardo pesquisou um pouco mais e viu que esse mercado não é pequeno: são mais de 50 milhões de cachorros por aqui. E experiência ele já tinha: fez parte da turma que criou o iFood. Discutiu, então, a ideia com seu colega de curso, Fernando Gadotti e, em 2014 os criaram a DogHero, serviço que conecta donos de cães que precisam de alguém que cuide dos bichinhos quando viajam a anfitriões e passeadores. O negócio cresceu, tem 18 mil anfitriões e já está em 750 cidades do Brasil, Argentina e México. Aqui, o dono da Amora conta mais detalhes dessa história.

Quando você descobriu que queria empreender?

Eu sempre me vi como empreendedor, assim. A primeira oportunidade que eu tive eu tinha  14 anos, quando eu comecei um site de MP3, e descobri que isso era ilegal. Mas eu gostava muito de construir as coisas e de que as pessoas utilizassem o que eu estava fazendo. Mais tarde, trabalhei numa empresa chamada Disk Cook, que tinha à época quatro funcionários. A gente acabou crescendo, pivotando a empresa, e virou o iFood. Eu tinha uma ideia que na verdade já existia há um tempo, foi o meu TCC da faculdade, de fazer um market place online de restaurantes. Isso mudaria um pouquinho o modelo do Disk Cook, que tinha um componente logístico muito grande. A ideia era poder escalar e atender o Brasil inteiro. Até que em um determinado momento, em 2011, acabei saindo da operação da Disk Cook, junto com o Felipe (Fioravante, outro fundador do iFood), e nos dedicamos 100% ao iFood. Levantamos a primeira rodada de capital, que foi com um fundo chamado Warehouse Investimentos, depois acabou entrando a Movile, e o negócio foi evoluindo a  partir daí.

Você disse que sociedade é algo importante para um empreendedor, para que o negócio floresça. Como você e Fernando se acharam?

A trajetória do empreendedor solitário é mais difícil, mas os sócios têm que estar alinhados. A gente se trancou em uma sala por uma semana para discutir como enxergávamos o mundo, o mercado, a cultura da empresa. Já tínhamos afinidades porque conversamos bastante durante o curso em Stanford [fizeram MBA juntos], mas era necessário saber se ia além disso, se a gente conseguiria trilhar o mesmo caminho. Além disso, somos complementares. Ele é mais organizado, mais dos processos. Eu penso na visão de longo prazo. Ele me ajuda em pontos que não são o meu forte e isso é essencial.

Você falou que, no começo, fechava as negociações de hospedagem em seu celular. O que aprendeu nesse início?

No comecinho a gente fez uma página convidando as pessoas a se cadastrarem e fizemos as primeiras entrevistas nós mesmos. Começamos a fazer anúncios de Facebook e uma landing page simples. As pessoas se cadastravam e eu ligava pra elas, entrevistava e falava: ”me conta a sua motivação, porque você se cadastrou, como é que você estar imaginando que vai ser isso?”. E foi super rico esse processo. Eu conseguia interagir com o cliente, ter muito feedback. E a gente foi construindo o produto ao redor dessas descobertas que a gente foi fazendo. Quando lançamos o serviço de passeio, primeiro pensamos em cobrar por mês. Mas aí chegava um dia de chuva e o cachorro não saía no dia combinado, o cliente perdia o dinheiro… Então revisamos para passeios avulsos, agendados ou com créditos. Só depois desse teste é que a gente monta a plataforma, o sistema de pagamentos etc. O planejamento depende muito da experiência e do feedback do cliente.

Por que é importante essa simplicidade inicial?

Nossa filosofia é colocar o serviço no mercado com o mínimo que ele precisa para funcionar bem. Esse aprendizado eu trouxe do iFood por uma experiência oposta: demoramos quase três anos entre ter a ideia e a empresa começar a funcionar. Acho frustrante, você pode perder o timing. Não foi o caso, obviamente, mas eu prefiro começar com pouco, fazer na mão mesmo muitas vezes, e colocar na rua. Aí você vai ajustando conforme o negócio cresce. E, como não fez grandes investimentos, pode fazer esses ajustes rapidamente, sem perdas significativas. A gente começou simples, começou pelas dúvidas que a tínhamos. A primeira dúvida era: será que eu consigo achar um anfitrião, alguém que vá ficar com o cachorro e que eu confiaria deixar o meu cachorro? Será que as pessoas vão se cadastrar pra isso? E depois: será que tem cliente? Para isso fomos fazendo os testes e conversando com os primeiros a acessarem o serviço para entender o que era importante. Muitas decisões de negócios vieram dessa interação.

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