Entrando no Detalhe #4 – Felipe Solari

Paulistano, nascido e criado no bairro das Perdizes, filho de pai argentino, Felipe Solari é, antes de tudo, um comunicador. Ator, apresentador e podcaster, ele comanda o Sistema Solari há quatro anos, no qual entrevista amigos, famosos e anônimos que tenham algo a dizer – ou debater. Lançado em 2018, o podcast inovou por ir além do áudio e transmitir, via YouTube, os papos de Felipe com nomes como Marcos Mion, João Gordo, Capitão Schurmann ou Alexandre Youssef, entre tantos outros.

Já são quase 200 episódios, com mais de 2 milhões de visualizações. “Tento fazer um conteúdo de dentro para fora. Escolho a dedo os convidados e os temas giram em torno de atualidades que acompanho e que não sejam superficiais. Quero fugir do óbvio, para não cair na mesmice e ser apenas mais um podcaster”, explica. Para o corintiano – que também torce pelo Boca Juniors –, qualidade vale mais do que a quantidade (de likes ou views). “O importante é resistir ao tempo, ser atemporal.”

Na Oficina, nos identificamos com essa filosofia.  

Felipe certamente herdou a veia comunicadora dos pais. A mãe, pedagoga, e o pai, publicitário, despertaram a vocação. “Eu ia nos estúdios e nas filmagens com o meu pai, e ele me ensinou a me comportar ali, respeitar uma hierarquia e a engrenagem que funciona no set. Sou apaixonado pelo clima dos estúdios até hoje.” Nos esportes adquiriu o senso de trabalho em grupo, de coletividade, o que “ajudou a desenvolver o caráter e a vida em sociedade.” Do futebol jogado nos campeonatos do clube Pinheiros, passou a admirar também a disciplina e os códigos das artes marciais. Não à toa começou a praticar jiu-jitsu, há dois anos.

A influência argentina marca presença constante na personalidade e no radar de Felipe. Ela alimenta a paixão por futebol, claro, mas também a cultura. Ele conhece cada bairro de Buenos Aires e é capaz de contar as suas respectivas histórias. Na música, gosta do rock de Fito Paez, mas não renega um bom tango de Carlos Gardel. Na literatura, coloca entre os seus autores prediletos Julio Cortázar e Jorge Luis Borges, mas no topo da lista está o uruguaio Eduardo Galeano, autor, entre outros sucessos, de “As Veias Abertas da América Latina”. Felipe é fascinado pelo nosso continente e suas nuances. “O Brasil perde algumas coisas por causa da barreira da língua com nossos vizinhos, e vice-versa”, analisa. Até a moda dos pampas, dos gauchos, é alvo do seu interesse. “Gosto das boinas, dos coletes e dos lenços amarrados.” O jogador de futebol uruguaio Edinson Cavani e o chef argentino Francis Mallmann – dono do badalado restaurante Garzon, perto de José Ignacio, na costa uruguaia – são adeptos da estética.

Quando o assunto é estilo, é impossível não citar a passagem de Felipe pela MTV, no início dos anos 2000, como apresentador. “A MTV era um verdadeiro Pinterest em termos de moda! Havia muita liberdade, e todo mundo, dos chefes ao estagiário, podia ser quem quisesse ser. Vi de tudo nos corredores e ficava fascinado pelo visual das bandas. Lembro da diversão que era montar os figurinos para o VMB. Foi um tempo de ousadia, divertido.” Afinal, moda e estilo podem ser sinônimos de diversão também, certo?

PINGUE-PONGUE DE ESTILO COM FELIPE

Como define o seu estilo?

Acho que sou meio uniformizado no dia a dia. Gosto do utilitário e do funcional.

Como é seu uniforme diário?

Uso bastante preto, calças mais afuniladas e jaquetas utilitárias. A máscara virou um acessório de moda também, né? Em ocasiões especiais, arrisco uma camisa. Gosto de estar preparado para tudo.

Qual a sua cartela de cores?

Preto, cinza e branco, mas ultimamente estou me aventurando pelos tons terrosos – beges, marrons, verde militar. Caminho pelo neutro e ando, de certa forma, camuflado. Sou um guerreiro urbano.

Referências de estilo?

David Beckham e os atores Shia LaBeouf e Vincent Cassel.

Menos é mais?

Busco ter menos peças e mais possibilidades de uso. Quero ter um armário mais inteligente, composto de básicos, com atenção especial para os tecidos. Acho que é um sinal de amadurecimento. [Alguém pensou nos Essenciais da Oficina?]

Quais são as suas peças preferidas da Oficina?

As camisas oxford e chino e, particularmente, as calças, que se encaixam muito bem no meu momento de estilo.

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