Jayme Drummond – as dicas de um carioca colecionador de histórias

Criador do canal digital Carioca no Mundo, Jayme Drummond é mais do que um youtuber. Podemos dizer que ele nasceu para inspirar pessoas. Seus vídeos que resenham o serviço de companhias aéreas e hotéis, além de transportar virtualmente 1 milhão de seguidores somados no YouTube e no Instagram para destinos fantásticos ao redor do planeta, batem recordes globais de audiência. É o caso, por exemplo, do vídeo sobre a experiência na primeira classe da Air France, publicado há dois anos e que já soma 4 milhões de visualizações. Todo esse sucesso digital, no entanto, não foi planejado, e começou, de fato, há poucos anos.

Formado em Hotelaria, Jayme iniciou o seu percurso profissional como consultor no saudoso e icônico hotel Le Méridien, no Rio de Janeiro. A partir da especialização na prestigiosa EHL (École Hôtelière de Lausanne), na Suíça, portas se abriram, a bagagem encorpou e ele construiu uma poderosa network. De volta ao Brasil, abriu uma empresa de consultoria, treinamento e desenvolvimento de programas de excelência em serviços. O próprio Méridien (atual Hilton) o contratou. Decidiu abrir mão de um convite para trabalhar no hotel St. Régis, em Nova York, para construir a sua trajetória no Brasil. E é aí que a história deslancha. Multitask assumido, Jayme acumulou projetos e experiências quase simultâneos. Investiu, com o sócio Marcelo Torres, na primeira agência de viagens online do Brasil; abriram o restaurante Laguiole Lab no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, onde Jayme abraçou também a área de eventos. No final de 1999 e pelos nove anos seguintes, ele ajudou a promover, entre a clientela brasileira, o célebre hotel George V, de Paris, cuja direção passava a ser do grupo Four Seasons. “Uma escola sem igual para aprender sobre o serviço de luxo”, define o globetrotter. Na sequência, enveredou pela área da educação a convite da Universidade Estácio de Sá, que o convenceu a assumir a direção da faculdade de Hotelaria. Jayme se apaixonou pelo ensino e ficou ali por nove anos, período durante o qual implementou um bacharelado com certificado internacional, em parceria com a EHL, e se envolveu na cadeira de gastronomia. Conseguiu trazer ao Brasil o renomado chef francês Alain Ducasse. “Foi um período muito rico e inesquecível.”

Achou muita coisa? Pois espere só até conhecer as próximas etapas da biografia de Jayme Drummond. Apaixonado por aviões e hotéis desde o berço, ele sempre viajou muito, a lazer ou a trabalho. Usou as experiências para enriquecer as aulas que dava na faculdade, mas muitos detalhes e sensações se perdiam na transmissão apenas verbal da mensagem aos alunos. A estalo veio em um voo da Malaysian Airlines, para Kuala Lumpur. Fascinado pelo serviço de bordo impecável, pelo uniforme e pela desenvoltura de uma aeromoça, Jayme decidiu filmar tudo. “Aquele verdadeiro ballet service me encantou, venci a vergonha e pedi permissão para registrar com a minha câmera.” Subiu o vídeo no YouTube e recebeu um ótimo feedback. Depois passou a registrar hotéis, funcionários e sommeliers, sempre com o intuito de educar e dividir as experiências com os alunos. Criou então um portal batizado de Canal no Mundo para hospedar dicas e vídeos.

A profissão de Jayme lhe deu acesso a destinos nada óbvios. Amigos começaram a pedir roteiros de cidades como Bangkok ou Sidney… “Era um hobby e foi ficando sério, até que um amigo, dono de uma produtora, me aconselhou a ir para a frente das câmeras”, conta. A Veja Rio sentiu o potencial do neoinfluencer e propôs hospedar o portal em seu site, mudando o nome para Carioca no Mundo. E o resto é história.

Foi só depois de flertar com um burnout, após as Olimpíadas do Rio, em 2016 – ele produziu diversos eventos para a Casa da Suíça, Canadá, EUA e até para o clube privado da cúpula do comitê internacional –, que Jayme decidiu levar a nova vocação a sério, como um business. “Os eventos olímpicos deram tão certo que recebi um convite para continuar a produzi-los através do mundo, nos jogos de inverno também, mas eu estava tão estafado que decidi que aquela vida não era para mim. Pensei: chegou a hora de me divertir.” O Carioca no Mundo virou então um guarda-chuva de serviços, com palestras, consultorias, treinamentos e, claro, muitos vídeos, que ganharam periodicidade e explodiram. Hoje, Jayme se dedica a aplicar e desmistificar o luxo. “Luxo esta muito mais na atitude, em como você envelopa o serviço, do que no hardware em si.”

A cada viagem, Jayme produz conteúdo, para inspirar a sua audiência e a si próprio. “Olho para a hospitalidade, para o serviço, gosto do contato humano. Quero compartilhar experiências incríveis e encantar pessoas com o que existe de melhor.” Seu canal é democrático e fala com um público de A a Z. Criou-se uma comunidade fiel, que interage e acompanha todos os passos do carioca. “Recebo relatos emocionantes até de crianças, fascinadas pelo universo dos aviões. Acho que essa integração se deve ao fato de que não criei um personagem, sou eu mesmo ali nos vídeos, é tudo verdadeiro.”

Carismático, Jayme diz que “coleciona gente e histórias.” “Eu sou só um intermediário, a ideia sempre foi colocar holofotes nas pessoas e no que de mais incrível elas sabem fazer para inspirar os outros. É uma maneira de educar também.”

Confira abaixo um pingue-pongue com Jayme Drummond e anote as dicas de viagem do Carioca no Mundo.

A experiência mais incrível: O ferry flight (vôo inaugural) de um Air Bus A320 Neo da Azul, que saiu da fábrica da Air Bus, em Toulouse, na França. A aeronave era toda pintada de rosa, para conscientizar as mulheres durante a campanha de prevenção ao câncer de mama. Fui com sete funcionárias da Azul, que tinham vencido a doença. O avião foi batizado de “Vitoriosas da Azul” e trazia o nome de cada uma delas escrito na fuselagem. Foi tão emocionante que apareço chorando no vídeo da viagem.

Viagem que ainda quer fazer: Aurora Boreal.

Próxima viagem: Dubai, a trabalho.

Look ideal para viajar: Gosto de montar o look de acordo com o avião e a rota. Nunca uso cinto e escolho sapatos confortáveis. Gosto de resgatar o glamour de viajar, por isso, posso colocar um blazer para ir a Paris ou Nova York, por exemplo. Por outro lado, não dá para ir a Fortaleza de blazer, então escolho uma calça 247, uma t-shirt pima e um cashmere para enfrentar o ar da cabine. Gosto de vivenciar o destino já quando entro no avião, escolho a companhia do país para onde estou voando para entrar no clima.

Assim como na moda, menos pode ser mais no universo das viagens?

Eu me identifico com a Oficina, com a filosofia de pensar combinações versáteis e menos peças. O básico de qualidade facilita muito a minha vida no vídeo, pois preciso ser discreto para não roubar a cena e estar pronto para todas as situações; a mensagem não sou eu. A filosofia pode ir pra hospitalidade, sim. A discrição é um dos pilares da hotelaria e da experiência do luxo. Gosto do menos é mais. Acho que o excesso rouba a atenção da experiência.

Quais são as suas dicas de viagem para 2022?

– Amazônia

– O litoral do norte de Alagoas

– Patagônia

– Egito

– Portugal

– Deserto do Atacama.

“Aposto no resgate do contato com a natureza. A forma de visitar e viajar vai ser diferente. Acredito nas viagens de transformação.”

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