Dia dos pais: João Pedro Resende, CEO da Hotmart, e o pai, Messias Alves de Paula

Uma vida pra inspirar

João Pedro Resende, o JP, abriu sua primeira empresa quando estudava Ciências da Computação. Quebrou, virou funcionário e tentou de novo, dessa vez com mais sucesso, tanto que criou a Hotmart, uma plataforma de compartilhamento de conteúdo com mais de 5 milhões de clientes em todo o mundo. A trajetória foi bem diferente do que seu pai, Messias Alves de Paula, imaginava para o garoto que virava noites jogando RPG em casa com os amigos. “Eu achava que ele seria funcionário da mesma empresa que eu. Mas ainda bem que não aceitavam parentes”, diz Messias. Aqui, os dois contam como essa relação incentivou JP a ter sucesso na carreira que escolheu.

Como foi o começo da sua carreira? Seu pai o inspirou?

JP: Minha primeira empresa, de aplicativos móveis, numa época que nem existia direito isso, não deu certo e passei um tempo trabalhando no mercado. Mas meu negócio é empreender. Diferente do meu pai que trabalhou por décadas na mesma empresa. Mas o exemplo do trabalho duro veio daí. Ele teve uma vida muito dura. Quando eu entendi a trajetória dele, de ter saído de uma situação de muita dificuldade, não ter nem o que calçar e fazer a carreira que ele fez, criar a mim e a minha irmã, essa jornada é tão absurda que eu achava que o mínimo que eu tinha que fazer era ir além do padrão, da média. Eu tinha que honrar aquele sacrifício. O exemplo de vida dele pra mim foi a coisa que mais me influenciou. O que mais ensina é o exemplo, e o que eu tirei pra mim: ter paciência, estudar muito e trabalhar muito. Se você tiver tudo isso, você consegue alcançar as coisas. 

Messias: Eu achava que ele ia trabalhar na mesma empresa que eu, um lugar que eu gostava muito, mas hoje dou graças a Deus que não podiam admitir parentes, pois ele fez essa trajetória toda. 

Seu Messias, que trajetória é essa?

Messias: Meu primeiro trabalho foi na área rural. Fui tropeiro, recolhia leite nas fazendas pra trazer para a cidade. E não tinha cavalo pra me levar, não. Eu montava na garupa de um daqueles burros de leite. Com 9 anos eu perdi minha mãe e parei de estudar. Nós éramos 10 irmãos e a vida era muito simples, mas havia muito amor entre nós. Meu pai casou de novo e ainda teve mais 5 filhos desse segundo casamento, além de outros fora. Acho que chegava a 21 ao todo… Passado um tempo eu voltei para a escola. Eu era o melhor aluno do ginásio e fui ganhando bolsas – além de ter prestígio com as meninas, as pretendentes [risos]. Fui então trabalhar como auxiliar administrativo e fui subindo, migrei para a área de Recursos Humanos, onde passei a maior parte do tempo e cheguei a ser diretor de benefícios. Foram 45 anos trabalhando.

O que você sonhou para o JP?

Messias: Eu esperava que ele seria uma pessoa de sucesso, porque é muito esforçado. E sempre foi muito cuidadoso com tudo o que fazia. Toda vez em que venho aqui [na Hotmart] eu me emociono um pouco, até escondo as lágrimas… A única preocupação que ele me deu é que eu achava que ele ia ser um viciado em jogos. Ele chamava os colegas em casa e viravam a noite jogando. Mas tirando isso, esse menino não me deu trabalho nenhum. Ele é uma pessoa fantástica, me ajuda muito. Acho que minha parte foi dar carinho, ser amigo, oferecer a ele um caminho mais tranquilo do que aquele que eu tive. Mas tudo o que a gente fez pra ele, ele soube aproveitar, dar valor, fazer a limonada. Até hoje não entendo direito o que é a plataforma. Então, quando eu pergunto pra ele “João Pedro, o que você faz?”. Ele me diz “pai, sou programador”. [risos]

JP:  No início, meus pais não entendiam direito o que eu fazia, mas eles não se importavam muito com a área, desde que eu estivesse construindo algo, trabalhando honestamente, eles ficavam satisfeitos. Com o tempo, foram entendendo. A história dos jogos, admito que realmente era um pouco demais. Eu jogava RPG de mesa e online, virava a noite jogando, e óbvio que preocupava meus pais. Mas eu aprendi muita coisa com isso. Tomei muito gosto por ler e escrever, desenvolvi criatividade, improviso. O jogo online me colocou em contato com muita gente de fora do Brasil, então eu treinei muito meu inglês. E, como eram jogos de equipe, aprendi muito sobre lideranças, barreiras… Tem muito a ver com o que eu faço hoje.

Qual a principal lembrança  do seu pai que você traz da infância?

JP:  Ah, eu ficava esperando ele chegar do trabalho, lá pelas seis horas, e toda vez que ele chegava, ele dava um assobio. E aí eu saía correndo de onde eu tava pra ia lá ver ele. A gente era muito grudado, a gente é muito próximo. Quando eu era criança, meu pai… Assim, não só quando eu era criança, até hoje é meu herói. Era o cara que fazia as coisas acontecerem e que sustentava a família.


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