Dia dos namorados: Vivi Barros e Marc Scheidt, sócios no Buffet Vivi Barros

“A gente é totalmente complementar”


Ela é uma das principais banqueteiras de São Paulo. Se você esteve na abertura da Copa do Mundo, provou alguns de seus pratos, pois o Buffet Vivi Barros serviu 20 mil pessoas durante o evento. De casamentos sofisticados aos maiores eventos esportivos do país, sua marca está lá. Mas a empresa não estaria completa se não fosse a organização do marido, Marc Scheidt, que põe tudo para funcionar na ponta do lápis.

Enquanto as amigas iam viajar para a praia nas férias, Vivi Barros ficava no caixa do restaurante do pai. Depois, como não tinha mesada, começou a organizar festas de formaturas para os amigos. E daí nasceu o Buffet Vivi Barros, hoje um dos principais da cidade e também um dos mais sofisticados. “Meu pai não me dava dinheiro, então eu tinha que me virar e assim comecei a trabalhar na mesma área que ele. Tudo foi dando certo, mas sempre com alguns sustos no meio”, conta. Na mesma época, Vivi começou a namorar Marc Scheidt. Recém-formado em administração, ele trabalhava no mercado financeiro, mas logo deixou o banco alemão em que atuava para ajudá-la com os primeiros trabalhos. “Na época, ainda não havia máquinas de expresso. Então a gente enchia o carro com 500 garrafas térmicas para entregar café nos eventos das empresas”, conta.

Dos pequenos coffee breaks, os dois partiram para formaturas dos maiores colégios da cidade, grandes casamentos e, depois, para alguns dos maiores eventos esportivos sediados no país, como a Formula-1 e a Copa do Mundo 2014. “A mãe dele foi viajar e me trouxe um livro sobre finger food e eu pirei. Percebi que poderia levar o buffet a um outro nível estético e passei a investir nisso”, conta Vivi, que inaugurou uma nova maneira de apresentar a comida nos eventos e conquistou um público bem sofisticado. Enquanto isso, Marc foi fazer faculdade de gastronomia e, para entender um pouco mais sobre o assunto, passou um ano trabalhando em um restaurante. “A Vivi aprendeu tudo na raça e na vida. O pai dela sempre empreendeu e ela cresceu nessa escola. O meu pai queria que eu fizesse carreira em uma multinacional, mas eu estava mais interessado em empreender e fazer essa empresa crescer”. Nesse papo, Marc e Vivi explicam um pouco da fórmula que mantém a união – e a empresa – funcionando por mais de 20 anos.

O que vocês aprenderam vivendo e trabalhando juntos?

Vivi: A gente é totalmente complementar em tudo! Eu sou da estética, da comunicação, da conquista, me ligo no que é tendência, mas não sou nada organizada, nada metódica. Eu não consigo fazer uma planilha! E ele é o cara que lê as linhas pequenas do contrato. Eu não leria um contato se não fosse por ele. O buffet é uma empresa porque o Marc está lá. Senão seria aquela empresa familiar do começo.

Marc: Quando eu entrei pra valer para o buffet, em 2006, as horas extras eram escritas em um papel qualquer, não tinha escritório de contabilidade. Eu trouxe tudo isso, essa organização mas, ao mesmo tempo sou inseguro para passos maiores e ela é mais atirada. Tanto que foi ótimo ir trabalhar em um restaurante por um tempo porque me deu mais segurança para administrar a cozinha, compor os custos, computar as perdas… Eu aprendi tudo isso na faculdade de gastronomia. Já a Vivi fez essa mesma faculdade só que na prática, na vida. Admiro ela como guerreira, uma pessoa de muita persistência, de muita firmeza. E ela tem muito bom gosto…  Aprendi muito com isso.

Você saiu de um emprego no Deutsche Bank para ajudar a Vivi em um pequeno buffet que estava no início. Como foi essa mudança?

Marc: Na primeira sede, a gente brigava porque eram três para dividir o computador: eu, ele e meu pai. Era tudo muito informal, meu pai sempre foi comerciante, não tinha organização. Meu pai sempre trabalhou em empresa, era o contrário dela, que ia trabalhar no caixa do restaurante desde pequena. E meu pai ficou 50 anos na mesma empresa e me dizia que eu ia para uma multinacional fazer carreira. Tinha uma barreira cultural, ele não aceitava muito que eu fosse trabalhar em um buffet. Mas depois do primeiro contato, eu me interessei.

Como foi fornecer para a área VIP para a Copa do Mundo?

Vivi: A gente teve um funcionário, um chef alemão que saiu do buffet e nos indicou para os organizadores da FIFA, pois ele estava fazendo a área de hospitalidade, aquela área em que as pessoas compravam um ingresso que incluía as refeições e bebidas. E, como a gente tinha estrutura, investia muito nisso, em segurança alimentar. Fomos contratados, fizemos tudo perfeito, demos treinamento especial aos funcionários… Mas, na hora da abertura, foi uma loucura. Muitos funcionários não podiam entrar porque o crachá não funcionou. Eram 6 mil pessoas para atendermos só no dia da abertura e tudo estava dando errado. Foi muito estressante, mas valeu o aprendizado. A partir do segundo jogo já foi tudo mais organizado e a gente atendeu 20 mil pessoas ao todo.

A Copa abriu espaço para vocês participarem de eventos cada vez maiores, o que acabou virando um de seus principais mercados hoje. Como foi lidar com esse crescimento?

Marc: No mês de janeiro seguinte à Copa, chegou um email nos chamando para uma licitação. O pedido era para atender um evento para 90 mil pessoas. Achei que fosse brincadeira, não acreditei, nunca tinha visto algo desse tamanho. Mandamos toda a documentação, fomos os terceiros, mas os dois primeiros colocados não estavam dentro de todas as regras e aí ganhamos. Era para a World Skills, uma olimpíada estudantil com alunos vindos de 74 países. Eram 8 mil refeições por dia, 70 toneladas de comida. A Copa foi nossa melhor escola, aprendemos na raça a enfrentar todo tipo de situação.

Vivi: A gente estava com medo porque, se desse errado, se os caras não pagassem, acontecesse qualquer coisa, a gente quebraria para todas as gerações [risos]. Aí deixamos tudo para trás, pegamos as crianças {Vivi tem um filho, Phillipe, e os dois juntos tiveram mais dois, Kevin e Lisa] e fomos para Alto Paraíso, ali na Chapada dos Veadeiros (GO). É um lugar mágico que a gente ama. Lá, decidimos que, se tudo desse errado, poderíamos abrir um restaurante e viver ali, com o mínimo possível, mas muito felizes. Estaria bom para nós. Decidimos que, por maior que fosse o problema, a solução não seria tão ruim. Voltamos e assinamos o contrato para o maior evento da nossa vida. E descobrimos que é isso que a gente gosta e no que estamos nos especializando. Temos os grandes casamentos, os eventos corporativos, os mega eventos, como esses, esportivos. Estamos diversificando. Minha vida sempre foi assim, com grandes saltos.  

E como fica o casamento no meio de todos essas dificuldades?

Vivi: Meus pais sempre trabalharam juntos, então pra mim sempre foi natural. Eles são muito parceiros. Brigavam muito, mas sabiam que poderiam contar com o outro. Estou acostumada.

Marc: A gente segue esse mesmo caminho. Eu olho muito para a família dela. Os pais dela têm 72 anos e estão lá na empresa todo dia trabalhando. Isso me alimenta muito. A parte ruim é quando a gente briga na empresa, chega em casa e ainda tem aquela tensão no ar. Por isso é importante exercitar essa separação – Chegar em casa e desestressar, esquecer o trabalho. A gente trabalha muito e, no pouco tempo que temos em casa com os filhos, a gente tenta desligar esse botão.

E como a empresa alimenta a relação de vocês?

Vivi: O ganha-pão de todo mundo sai da mesma fonte. O nosso, da nossa família,  dos meus pais. Isso traz união e também tem a coisa que a gente entende o outro. Ele sabe quando eu não estou muito bem, eu sei se ele está passando por uma fase difícil e respeito. Ele sabe qual é meu limite, eu sei como é o jeito dele e onde ele não vai mudar. Não precisamos de máscaras.

Marc: E tem a confiança total um no outro. A gente tem certeza que ninguém está passando a perna em ninguém, não tem concorrência interna.

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